A influência dos descongestionantes nasais alfa-agonistas na qualidade de vida de pacientes com rinite alérgica:

uma análise da prevalência, dependência e efeitos adversos

Autores

  • Julia da Costa Almeida Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Gustavo Galdino de Souza Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Paulo Victor Pessanha Ribeiro da Silva Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Miguel de Lemos Neto Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil

DOI:

https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p47

Palavras-chave:

Automedicação, Descongestionantes nasais, Efeitos adversos

Resumo

A rinite alérgica tem se tornado uma condição cada vez mais prevalente, e o baixo controle de seus sintomas se correlaciona com taxas crescentes de automedicação. Um dos medicamentos mais utilizados de forma indiscriminada é o descongestionante intranasal com ação alfa-agonista. Nesse contexto, buscou-se analisar a prevalência e consequências do uso dessa classe medicamentosa em pacientes com rinite alérgica no município de Campos dos Goytacazes. No estudo descritivo transversal em questão, as amostras foram coletadas entre setembro de 2024 e julho de 2025, no Hospital Plantadores de Cana, por meio de um questionário estruturado na plataforma REDCap. Para a análise estatística dos dados, foi utilizado o software Excel. Foram entrevistados 100 participantes, sendo 79 do sexo feminino (79%) e 21 do sexo masculino (21%), de idade média 40,70 ± 13,20 anos. Os sintomas mais relatados foram “espirros” (85%), “prurido nasal” (83%) e “obstrução nasal” (82%). A prevalência do uso de descongestionantes nasais foi de 75%, sendo 51% (51) de uso semanal, e a de participantes que se automedicam foi 63%. Foi possível constatar que participantes com o pior controle dos sintomas tiveram a prevalência de automedicação cerca de três vezes maior (RP=3,33; IC95%:1,20-9,29; p<0,01) comparados aos participantes com melhor controle. Em relação às taxas de dependência, constatou-se que 23% dos participantes são dependentes do medicamento atualmente e 15% já foram dependentes, mas deixaram de ser. Foi possível constatar que a dependência medicamentosa está relacionada a uma maior prevalência de efeitos adversos sistêmicos como ansiedade (RP=2,13; IC95%: 1,48-3,06; p<0,01), insônia (RP=3,26; IC95%: 1,86-5,74; p<0,01), tontura (RP=3,81; IC95%: 1,60-9,06; p<0,01), hipertensão (RP=2,31; IC95%: 1,25-4,29; p<0,05) e, mais significativamente, taquicardia (RP=7,18; IC95%: 2,97-17,32; p<0,01). Em contrapartida, não houve correlação significativa com a presença de cefaleia e retenção urinária (p>0,05). A análise em questão evidencia a necessidade da atenção aos possíveis efeitos deletérios do mau controle dos sintomas da rinite alérgica com medicamentos inadequados não prescritos ou recomendados por profissionais.

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Publicado

2025-11-27