A influência dos descongestionantes nasais alfa-agonistas na qualidade de vida de pacientes com rinite alérgica:
uma análise da prevalência, dependência e efeitos adversos
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p47Palavras-chave:
Automedicação, Descongestionantes nasais, Efeitos adversosResumo
A rinite alérgica tem se tornado uma condição cada vez mais prevalente, e o baixo controle de seus sintomas se correlaciona com taxas crescentes de automedicação. Um dos medicamentos mais utilizados de forma indiscriminada é o descongestionante intranasal com ação alfa-agonista. Nesse contexto, buscou-se analisar a prevalência e consequências do uso dessa classe medicamentosa em pacientes com rinite alérgica no município de Campos dos Goytacazes. No estudo descritivo transversal em questão, as amostras foram coletadas entre setembro de 2024 e julho de 2025, no Hospital Plantadores de Cana, por meio de um questionário estruturado na plataforma REDCap. Para a análise estatística dos dados, foi utilizado o software Excel. Foram entrevistados 100 participantes, sendo 79 do sexo feminino (79%) e 21 do sexo masculino (21%), de idade média 40,70 ± 13,20 anos. Os sintomas mais relatados foram “espirros” (85%), “prurido nasal” (83%) e “obstrução nasal” (82%). A prevalência do uso de descongestionantes nasais foi de 75%, sendo 51% (51) de uso semanal, e a de participantes que se automedicam foi 63%. Foi possível constatar que participantes com o pior controle dos sintomas tiveram a prevalência de automedicação cerca de três vezes maior (RP=3,33; IC95%:1,20-9,29; p<0,01) comparados aos participantes com melhor controle. Em relação às taxas de dependência, constatou-se que 23% dos participantes são dependentes do medicamento atualmente e 15% já foram dependentes, mas deixaram de ser. Foi possível constatar que a dependência medicamentosa está relacionada a uma maior prevalência de efeitos adversos sistêmicos como ansiedade (RP=2,13; IC95%: 1,48-3,06; p<0,01), insônia (RP=3,26; IC95%: 1,86-5,74; p<0,01), tontura (RP=3,81; IC95%: 1,60-9,06; p<0,01), hipertensão (RP=2,31; IC95%: 1,25-4,29; p<0,05) e, mais significativamente, taquicardia (RP=7,18; IC95%: 2,97-17,32; p<0,01). Em contrapartida, não houve correlação significativa com a presença de cefaleia e retenção urinária (p>0,05). A análise em questão evidencia a necessidade da atenção aos possíveis efeitos deletérios do mau controle dos sintomas da rinite alérgica com medicamentos inadequados não prescritos ou recomendados por profissionais.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Julia da Costa Almeida, Gustavo Galdino de Souza, Paulo Victor Pessanha Ribeiro da Silva, Miguel de Lemos Neto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores do manuscrito submetido aos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos, representados aqui pelo autor correspondente, concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem sem ônus financeiro aos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos o direito de primeira publicação.
Simultaneamente o trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite copiar e redistribuir os trabalhos por qualquer meio ou formato, e também para, tendo como base o seu conteúdo, reutilizar, transformar ou criar, com propósitos legais, até comerciais, desde que citada a fonte.
Os autores não receberão nenhuma retribuição material pelo manuscrito e a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) irá disponibilizá-lo on-line no modo Open Access, mediante sistema próprio ou de outros bancos de dados.
Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta publicação.
Os autores têm permissão e são estimulados a divulgar e distribuir seu trabalho online na versão final (posprint) publicada pelos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos em diferentes fontes de informação (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer tempo posterior à primeira publicação do artigo.
A Faculdade de Medicina de Campos poderá efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com o intuito de manter o padrão culto da língua, contando com a anuência final dos autores.
As opiniões emitidas no manuscrito são de exclusiva responsabilidade do(s) autor(es).
