Análise da baixa adesão à vacinação de crianças no município de Campos dos Goytacazes e as consequências da negligência parental:
um estudo transversal
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p30Palavras-chave:
Vacinação, Hesitação Vacinal, Atraso Vacinal, Desinformação, COVID-19Resumo
O crescente desapreço pelos imunizantes tem gerado uma preocupante queda nos índices vacinais na cidade de Campos dos Goytacazes. A problemática se agrava na medida em que se observa níveis extremamente baixos de vacinação por parte do público infantil, que se mantém vulnerável e susceptível a riscos epidemiológicos. O objetivo desse estudo é investigar as causas da hesitação vacinal de crianças e jovens no município e os fatores associados a essa queda, tendo como referência pacientes do pronto atendimento pediátrico do Hospital Plantadores de Cana (HPC). Desenvolveu-se um estudo transversal com análise do índice de vacinação dos pacientes da ala pediátrica do HPC de idades entre 0 mês e 14 anos, período compreendido entre 09/2024 a 05/2025. O estudo consiste na verificação do cartão vacinal da criança, seguido da aplicação de um questionário contendo os principais dados dos responsáveis como idade, data da primeira gestação, renda, escolaridade, religião, e foram anexados na plataforma RedCap. Elaborou-se uma planilha pelo programa Excel com os principais dados coletados, assegurando total confidencialidade na análise. Foram entrevistadas 402 pessoas, após exclusão das duplicatas e dos casos que não estavam com cartão de vacinação, totalizou-se n=363. A média das idades é 27,48 ± 31,38 (0 a 168 meses), a mediana das idades é 16(IQR 4-36). 53,99%(196/363) do sexo masculino; 49,86%(181/363) frequentam escola. Das características socioeconômicas, a quantidade de filhos por mãe tem mediana 2(IQR 1-3) com a idade da primeira gestação de mediana 19(IQR17-23). 63,36%(230/363) recebem auxílio e 36,64%(133/363) das crianças têm pais divorciados; 36,91%(134/363) declararam ausência de religião, 45,73%(166/363) Protestantes. Das características étnicas/raciais, 46,56%(169/363) autodeclararam-se pardos, 34,71%(126/363) negros, 16,25%(59/363) brancos, 2,20%(8/363) amarelos, e 0,28%(1/363) indígena. 77,69%(282/363) dos entrevistados possuem renda de até 2 salários, sendo 31,13%(113/363) possuem renda de 0,5 a 1 salário. Das crianças de 2 a 17 meses 48,51%(65/134) tinham atraso das vacinas Essenciais Típicas, e pelo menos 25% atrasam 3 ou mais vacinas, mediana 0(IQR 0-3). Dessas, 90,30%(121/134) vão ao pediatra e 15,67%(21/134) alegam que o profissional não olha o cartão vacinal. Há prevalência de atraso das vacinas MeningoC 2ºdose, VIP 3ºdose e Tríplice Viral 1ºdose 11,19%(15/134) cada. Penta 3ºdose 10,45%(14/134). Vacina Tetraviral 7,46%(10/134). MeningoC as principais alegações foram “medo das reações síndromes/imunodeficiência”, “falta de imunizantes” e “indicações contrárias do profissional de saúde” cada um com 26,67%(4/15), desconhecimento do atraso 13,33%(2/15). Para VIP 53,33%(8/15) e Tríplice viral 46,67%(7/15) as alegações foram perfil clínico da criança (febre, mal-estar). Das crianças com 6 a 168 meses 74,72%(198/265) não tomaram 1ºdose da Vacina Essencial Específica Covid-19. Dos que tomaram a 1º, 37,31%(25/67) não tomaram a 2ªdose e somente 13,96%(37/265) tomaram 3 doses. Principais alegações “crenças populares (desinformação/FakeNews)” 42,42%(84/198)” Negação da eficácia vacinal (negacionismo/informações com viés ideológico)” e “indicações contrárias do profissional de saúde” ambos com 7,58%(15/198). Esse é o primeiro estudo sobre o tema na região e trouxe consigo uma amostragem acerca do panorama vacinal do município analisado. A possibilidade de debates e novas discussões a respeito da hesitação vacinal é o ponto crucial desse trabalho.
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