Reações de cardiotoxicidade induzidas por quimioterápicos identificadas durante reconciliação medicamentosa em um Hospital Escola de Alta Complexidade
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p40Palavras-chave:
Cardiotoxicidade, Quimioterapia, Câncer, Reconciliação medicamentosaResumo
A quimioterapia é um dos pilares do tratamento do câncer, mas seu uso está frequentemente associado a reações adversas a medicamentos (RAM), entre elas a cardiotoxicidade, que pode comprometer significativamente a função cardíaca, a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. A cardiotoxicidade pode se manifestar como disfunções leves, arritmias, insuficiência cardíaca ou até morte súbita. Este trabalho tem como objetivo principal identificar os principais quimioterápicos que causam reações de cardiotoxicidade e delimitar a prevalência, o perfil dos pacientes e das doenças mais relacionadas em um hospital escola de alta complexidade. Foram incluídos pacientes com diagnósticos oncológicos confirmados na clínica médica e oncológica e que estavam em uso de tratamento quimioterápico, e excluídos pacientes que ainda estavam em investigação ou com diagnóstico confirmado e fazendo outro tipo terapia. A hipótese central é descobrir quais os quimioterápicos provocam mais dano ao musculo cardíaco, qual perfil de paciente e doenças prévias que estão relacionados a maior exposição a cardiotoxicidade advinda do tratamento preconizado. A metodologia consiste em um estudo observacional transversal, com coleta de dados baseada na reconciliação medicamentosa realizada durante as internações na clínica oncológica de um hospital de alta complexidade. Serão coletadas informações demográficas, clínicas e terapêuticas dos pacientes internados, com especial atenção aos relatos de RAM, uso de quimioterápicos, e histórico de doença cardiovascular. A análise será feita por estatística descritiva, com apoio do Microsoft Excel®, e os dados éticos seguirão as diretrizes do comitê de ética. Foram coletados e analisados, até agora, dados de 48 pacientes que detinham tratamento vigente e estavam internados para realizá-lo. A amostra foi composta por 48 pacientes, sendo 20 do sexo masculino (41,7%) e 28 do feminino (58,3%), com média de idade de 59,6 anos. Do total, 39,6% apresentavam histórico pessoal de doença cardíaca (DC), enquanto 62,5% possuíam história familiar de DC. Os efeitos cardíacos mais frequentes foram dispneia (16,7%), edema de membros inferiores (12,5%), palpitações (10,4%), hipertensão arterial sistêmica prévia ou agravada (10,4%) e taquicardia (8,3%). Quanto aos tipos de neoplasia, destacaram-se: mama (25%), próstata (14,6%), colo de útero (12,5%), cólon (5%) e linfoma não Hodgkin (8,3%). Para avaliar a associação entre quimioterápicos e efeitos cardíacos, aplicou-se o teste Qui-Quadrado aos cinco fármacos mais prevalentes: Capecitabina, Carboplatina, Paclitaxel, Cisplatina e Leuprorrelina. O resultado (X²=8.42; p=0.13) não evidenciou associação significativa (p>0.05). Adicionalmente, os quimioterápicos com maior risco relativo - Paclitaxel (OR=3.75; IC95% 0,63-22,4; p=0.18), Carboplatina (OR=2.50; IC95% 0,51-12.3; p=0.25) e Doxorrubicina (OR=2.40; IC95% 0,19-30,1; p=0.57) - não apresentaram significância estatística isoladamente. Acredita-se que os resultados deste estudo poderão subsidiar intervenções mais seguras e personalizadas na prescrição de quimioterápicos, contribuindo para o aprimoramento da farmacovigilância hospitalar e redução da morbimortalidade por efeitos adversos.
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