Piomiosite tropical associada a osteomielite em adolescente imunocompetente
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p79Palavras-chave:
Piomiosite, Adolescente, OsteomieliteResumo
A piomiosite tropical ou primaria é uma infecção bacteriana do tecido muscular esquelético que, embora mais comum em regiões tropicais, vem sendo reconhecida com maior frequência em países de clima temperado, inclusive entre indivíduos imunocompetentes. Entre os sintomas estão as dores musculares, febre e leucocitose. Acomete, principalmente, crianças e adolescentes, podendo evoluir com complicações graves se não diagnosticada e tratada precocemente. Relatar um caso de piomiosite primária com múltiplos abscessos musculares e osteomielite em adolescente imunocompetente, evoluindo de forma favorável após drenagem e antibioticoterapia. Adolescente masculino, 15 anos, previamente hígido, foi admitido com queixa de dor abdominal em hipogástrio e fossa ilíaca esquerda, acompanhada de febre. Estava em uso prévio de ciprofloxacino por suspeita de infecção urinária. Investigação inicial com tomografia computadorizada e ressonância magnética revelou múltiplas coleções líquidas com realce periférico e áreas centrais de necrose, compatíveis com abscessos, localizados nos músculos ílio-psoas bilateralmente (predomínio à esquerda), glúteo médio, região pré-sacral, além de osteomielite envolvendo os corpos vertebrais sacrais, asa sacral direita e osso ilíaco direito. Apresentava ainda comprometimento do reto e canal anal, além de envolvimento da gordura perirretal. Foi submetido a drenagem percutânea guiada por ultrassom com saída de material purulento enviado para análise laboratorial. Culturas do material colhido foram negativas. Foi submetido a abordagem cirúrgica para drenagem do abscesso com uma incisão em fossa ilíaca esquerda e lavagem vigorosa da região muscular anterior e seguida colocação de um dreno tubular para manter drenagem continua. Inicialmente recebeu esquema com meropenem e vancomicina, substituído por oxacilina, ceftriaxona e metronidazol, e posteriormente cefalexina e clavulin por via oral. Durante internação, apresentou episódio de rash cutâneo por provável reação a oxacilina. Os exames laboratoriais demonstraram elevação dos marcadores inflamatórios, discreta anemia e distúrbios de coagulação transitórios, com melhora progressiva. A função cardíaca foi avaliada por ecocardiograma transtorácico, sem achados sugestivos de endocardite. O paciente evoluiu afebril, normotenso, ativo no leito, com boa resposta à antibioticoterapia e melhora clínica progressiva. Após 35 dias de tratamento. Recebeu alta hospitalar com orientações, prescrição de antibióticos orais e encaminhamento para seguimento ambulatorial com infectologia e ortopedia. O caso ressalta a importância da suspeita clínica de piomiosite em adolescentes com febre, dor abdominal e lombalgia, mesmo em pacientes sem comorbidades conhecidas. A abordagem precoce com exames de imagem, drenagem e antibioticoterapia adequada foi decisiva para o bom desfecho clínico. Este relato reforça a necessidade de reconhecimento da piomiosite como diagnóstico diferencial relevante em adolescentes imunocompetentes.
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Copyright (c) 2025 Rúbio Moreira Bastos Neto, Lara Simao Barbosa Lemos , Sandro Bichara Mendonça

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