Esporotricose em face de criança:
relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p69Palavras-chave:
Esporotricose, Pediatria, Daingóstico diferencialResumo
A Esporotricose, causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, é uma micose endêmica e negligenciada com crescente impacto na saúde pública, especialmente no Brasil, devido à sua disseminação zoonótica, especialmente através de felinos infectados. Sua manifestação em crianças é rara, principalmente em face, podendo gerar implicações clínicas, sociais e psicológicas. O diagnóstico precoce é fundamental para tratamento adequado e prevenção de complicações. A doença apresenta-se de forma crônica ou subaguda, com lesões cutâneas polimórficas. A esporotricose humana foi incluída na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, sendo a notificação realizada por meio da ficha individual de notificação. Relatar um caso de esporotricose facial em paciente pediátrico, destacando a importância do diagnóstico diferencial, da conduta terapêutica adequada com monitoramento hepático e da abordagem multidisciplinar. Paciente masculino, 8 anos, branco, natural de Campos dos Goytacazes e residente no bairro Jardim Carioca, foi encaminhado ao serviço de Pediatria do Hospital Geral de Guarus em 26/06/2025, apresentando lesão crostosa em face à direita há cerca de um mês, com adenomegalia cervical e pré-auricular. Já havia feito uso ambulatorial de Benzetacil e Amoxicilina com Clavulanato, sem melhora. Foi internado com hipótese diagnóstica de Impetigo e iniciado tratamento com Oxacilina e compressas mornas por 6 dias, sem evolução satisfatória. Após novo interrogatório, a mãe relatou contato prévio do menor com um felino com lesões no focinho. Diante disso, foi solicitada avaliação dermatológica, realizada biópsia incisional da lesão e, após confirmação diagnóstica de esporotricose, iniciou-se tratamento com Itraconazol 100 mg/dia, associado à solicitação de exames laboratoriais. Três dias após o início do antifúngico, os marcadores hepáticos apresentaram alteração (TGO: 110 U/L; TGP: 115 U/L), levantando a necessidade de atenção especial ao uso da medicação antifúngica em pacientes pediátricos, considerando possível ajuste de dose para prevenção de hepatotoxicidade. O paciente recebeu alta hospitalar com encaminhamento para seguimento ambulatorial no Centro de Doenças Infecto- -Parasitárias (CDIP), orientações de precaução com contato social e medidas adequadas com o felino envolvido, reforçando que o animal não deve ser sacrificado, mas sim encaminhado para diagnóstico e tratamento veterinário. O caso ressalta a importância da suspeição clínica de esporotricose em casos de lesões ulceradas refratárias, especialmente em crianças com histórico de contato com felinos. O uso adequado do Itraconazol, com atenção à dose e ao monitoramento laboratorial, é essencial para garantir a segurança e eficácia do tratamento.
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