A descontinuidade terapêutica como entrave no controle da Leishmaniose Visceral Canina em Campos dos Goytacazes:
relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p66Palavras-chave:
Zoonose, Epidemiologia, Saúde Pública, ZoonosesResumo
A leishmaniose visceral é uma zoonose infecciosa transmitida por flebotomíneos do gênero Lutzomyia, com os cães atuando como principais reservatórios no meio urbano, representando risco significativo à saúde humana. Diante de sua relevância em saúde pública, a detecção precoce e o manejo adequado são cruciais. Este relato enfatiza a necessidade de intensificação da vigilância em Campos dos Goytacazes e destaca um desafio recorrente na clínica veterinária: a descontinuidade do acompanhamento pelos tutores, comprometendo o diagnóstico, tratamento e controle da doença. O caso envolve um cão sem raça definida, 7 anos, 7,1 kg, com histórico de leishmaniose contraída em Minas Gerais há três anos, sem informações sobre tratamento prévio, notificação obrigatória ou uso de coleira repelente. Durante esse período, não houve monitoramento da carga parasitária por exames seriados. O tutor relatou apenas uso de alopurinol e apoquel, e apresentou queixa de prurido intenso e alopecia generalizada. Ao exame físico, o animal apresentava mucosas normocoradas, parâmetros normais, sem febre, porém com linfonodomegalia, especialmente submandibular. Foi solicitado aspirado de linfonodo para citologia e realizado teste rápido (positivo), além de coleta para Ensaio de Imunoabsorção Enzimática (ELISA) e Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI). Os exames laboratoriais indicaram doença ativa, com hiperproteinemia, hiperglobulinemia, hipoalbuminemia, elevação de enzimas hepáticas, anemia normocítica normocrômica, leucopenia e linfócitos reativos. Até o resultado da sorologia, foram prescritos alopurinol, corticoterapia, domperidona e imunomodulador. O uso de miltefosina foi recomendado após confirmação sorológica, mas, devido ao custo, o tutor não retornou às consultas. Ao ser contatado, informou que o cão havia retornado para Minas Gerais, dando continuidade ao tratamento com outro veterinário. A interrupção do acompanhamento e tratamento dificulta o controle da leishmaniose visceral canina, favorecendo a manutenção de focos de infecção, elevando o risco zoonótico e comprometendo a saúde pública.
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