O livre acesso de animais ao peridomicílio como um alerta para proliferação da esporotricose
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p49Palavras-chave:
Esporotricose, Comportamento animal, Animais DomésticosResumo
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix spp., destacando-se como uma zoonose emergente de relevância na saúde pública. Inicialmente vinculada a ambientes rurais, a esporotricose passou a apresentar crescimento significativo em áreas urbanas. Este trabalho tem como objetivo analisar a influência de aspectos culturais relacionados ao acesso de animais ao peridomicílio pelos tutores, além dos padrões de distribuição da doença entre os bairros no avanço da transmissão da esporotricose em áreas urbanas em Campos dos Goytacazes. A pesquisa foi conduzida entre junho de 2024 e maio de 2025, aprovada pela Comissão de Ética de Uso de Animais, sob protocolo nº 501, incluindo cães e gatos com suspeita clínica de esporotricose. Durante a anamnese, registraram-se dados sobre histórico médico, padrão de circulação (intradomiciliar, peridomiciliar ou livre), contato com outros animais e localização da residência. As amostras das lesões suspeitas foram coletadas com swabs estéreis, cultivadas em Ágar Sabouraud Dextrose a 4%, com Cloranfenicol e Cicloheximida. Durante junho de 2024 e maio de 2025, 234 animais foram diagnosticados com esporotricose, sendo 218 felinos e 16 cães. A infecção micótica foi diagnosticada em 50 bairros e 3 distritos em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro. Entre os pacientes positivos, 63,67% apresentavam acesso ao ambiente externo, proporção 27,35% superior à observada entre os mantidos exclusivamente em ambientes internos. A maior parte dos animais infectados (67,52%) não era castrada, independentemente da livre circulação fora do domicílio. O presente estudo confirma a expansão territorial da esporotricose no município, evidenciada pela ocorrência da micose em bairros anteriormente não mencionados na literatura, como os Parque Bandeirantes, Cidade Luz, Parque Lebret, Parque Maciel e mais 5 localidades. Esses bairros passaram a ser incluídos entre as áreas identificadas como acometidas, o que reflete não apenas na sua permanência em áreas historicamente afetadas, mas também sua progressão, delineando um novo perfil de disseminação urbana. O perfil de avanço georreferenciado da esporotricose, para novos bairros em seis anos e a predominância de animais com acesso ao peridomicílio reforçam a prerrogativa do papel do manejo domiciliar na expansão dos casos. Logo, o controle da doença demanda ações integrativas entre as diversas áreas médica, médica veterinária e educacional, incluindo a orientação aos tutores com relação aos riscos que envolvem a permissividade do acesso dos animais ao peridomicílio.
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