Perfil epidemiológico de internações por endometriose no Brasil entre 2015 e 2025:

análise descritiva

Autores

  • Matheus Macedo de Aguiar Fagundes Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Jane Carla Viana Neves Silva Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil

DOI:

https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p26

Palavras-chave:

Diagnóstico Precoce, Endometriose, Hospitalização, Prevalência, Sistema Único de Saúde

Resumo

A endometriose é caracterizada pela presença de glândulas e/ou estroma endometriais fora da cavidade uterina, acometendo estruturas e órgãos pélvicos, como o peritônio, vísceras abdominais e ligamentos. Estima-se que cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva sejam portadoras da doença. Analisar o perfil epidemiológico das internações por endometriose nas diferentes regiões do Brasil. Estudo epidemiológico descritivo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/ SUS), disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram incluídas mulheres a partir de 10 anos de idade internadas por endometriose entre 2015 e 2025. As variáveis analisadas foram: ano de atendimento, região brasileira, unidade federativa, faixa etária, caráter do atendimento e etnia. Entre 2015 e 2025, foram registradas 127.177 internações por endometriose no Brasil, com maior concentração na região Sudeste (54.488), seguida pelas regiões Nordeste (32.312), Sul (22.714), Centro-Oeste (9.237) e Norte (8.424). Os estados com maior incidência foram São Paulo (18%) e Minas Gerais (17,02%). As faixas etárias mais acometidas foram: 40 a 49 anos (43,11%), 30 a 39 anos (24,96%) e 50 a 59 anos (14,39%). Quanto à raça/cor, predominou a população parda (43,48%), seguida por branca (36,75%). O atendimento eletivo foi mais frequente (76,9%) em comparação ao de urgência (23,1%). A maior prevalência de internações na região Sudeste pode estar relacionada à densidade populacional e ao maior número de profissionais especializados, o que favorece o diagnóstico e tratamento. Já a baixa incidência na região Norte pode refletir subnotificação decorrente de limitações no acesso à assistência médica. A concentração dos casos entre 30 e 49 anos evidencia o diagnóstico tardio, ainda dentro do período reprodutivo. A distribuição étnica acompanha as declarações populacionais do IBGE. A predominância de atendimentos eletivos reforça a possibilidade de acompanhamento ambulatorial em boa parte dos casos. A endometriose apresenta elevada incidência no Brasil, com desigualdades regionais marcantes. Mulheres pardas entre 30 e 49 anos compõem o grupo mais acometido. A ampliação do acesso ao conhecimento sobre o diagnóstico precoce e ao tratamento adequado é fundamental para reduzir os impactos físicos, psicológicos e econômicos da doença, tanto para as pacientes quanto para o Sistema Único de Saúde.

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Publicado

2025-11-27

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