Sífilis gestacional e risco de transmissão vertical:
estudo epidemiológico de 2020 a 2024 em Campos dos Goytacazes- RJ
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p37Palavras-chave:
Sífilis, EpidemiologiaResumo
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar quadros clínicos variados e diferentes estágios (primário, secundário, latente e terciário). Quando contraída durante a gestação, em casos de detecção tardia ou abandono do seguimento pré-natal, eleva-se o risco de transmissão ao feto por via transplacentária. A sífilis gestacional e a sífilis congênita configuram um desafio à saúde pública Brasileira, evidenciando uma falha no seguimento obstétrico, seja pela não execução, ou detecção e tratamento adequado no período viável da gestação. Este projeto consiste na avaliação da prevalência dos casos de sífilis gestacional e de sífilis congênita na cidade de Campos dos Goytacazes no período de 2020 a 2024, a fim de estimar a probabilidade de transmissão vertical da infecção. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, do tipo descritivo, com base em dados secundários obtidos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Entre 2020 e 2024 foram notificados 903 casos de sífilis gestacional e 496 casos de sífilis congênita, com 83,3% das gestantes entre 20 e 39 anos. Na análise temporal de 2020-2022, ocorreu um aumento nos casos de sífilis gestacional, de 10 casos em 2020 para 322 em 2022, correspondente a um acréscimo de 3102% em dois anos. O início da pandemia de COVID-19 em 2020 possivelmente contribuiu para a subnotificação e queda na adesão ao acompanhamento pré-natal naquele período. Por outro lado, na investigação de 2023-2024, nota-se uma queda nos registros de sífilis congênita de 59,3%, o que implica em uma possível melhora nas ações de prevenção e controle da doença nas gestantes. A correlação anual entre os casos de sífilis gestacional e congênita permite inferir uma relação causal: o aumento do número de gestantes diagnosticadas reflete no crescimento dos casos congênitos, indicando maior risco de transmissão vertical. Dessa forma, apesar da disposição de exames e tratamento pelo SUS, a sífilis gestacional continua a refletir iniquidades em saúde. Contudo, em anos com maior prevenção os dados comparativos revelam que: observou a redução dos casos de sífilis congênita, logo, pressupõe-se que a adesão ao pré-natal e a Atenção em Saúde primária foram eficientes para reduzir a transmissão vertical, mas não a contaminação de gestantes. A testagem precoce, vínculo eficiente com o cuidado pré-natal e envolvimento dos parceiros das gestantes são boas estratégias para reduzir os efeitos desfavoráveis.
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Copyright (c) 2025 Laís Gomes Moreira, Alice Azevedo Duarte do Couto Costa, Ester Ferreira Barbosa Rodrigues, Isabella da Silva Oliveira, Milena Araújo Mussi , Jane Carla Viana Neves Silva

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