Correção Cirúrgica de pectus excavatum pós-trauma torácico por atropelamento:
um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p74Palavras-chave:
Pectus Exacavatum, Trauma, Tórax, Procedimento cirúrgicoResumo
O Pectus Excavatum (PE), também conhecido como tórax infundibuliforme, é caracterizado por uma depressão na parte inferior do esterno e região epigástrica. A incidência de PE varia de 0,58% a 3% dos nascidos vivos, com história familiar presente em 23% a 41% dos casos, com predominância do sexo masculino, apresentando proporção variável de 4:1 a 9:1. Além de ser predominantemente de natureza congênita, pode também ser associada a síndromes cromossômicas, como a síndrome de Turner, ou traumas. Esta deformidade limita o espaço intratorácico, podendo deslocar o coração de sua posição natural e, consequentemente, alterar a função normal do sistema respiratório e do sistema cardiovascular. Relatar os achados clínicos e radiológicos do paciente antes e após o procedimento cirúrgico para correção do PE pós trauma torácico; demonstrar a eficácia da cirurgia na correção da deformidade, evidenciada pela melhora dos parâmetros anatômicos e funcionais após a intervenção. Paciente do sexo masculino, 26 anos, com história de atropelamento aos 6 anos de idade, que resultou em deformidade torácica depressiva no hemitórax esquerdo, de caráter progressivo. Ao longo dos anos, a deformidade foi se acentuando, levando não apenas a comprometimento estético, mas também a alterações na dinâmica torácica e na posição dos órgãos intratorácicos. No período pré-operatório, foram identificados deslocamento do coração para a esquerda e prolapso da válvula mitral, alterações atribuídas à compressão torácica assimétrica e à diminuição do espaço intratorácico decorrente da deformidade. Aos 22 anos, o paciente foi submetido a procedimento cirúrgico para correção da deformidade, no qual foi implantada uma barra metálica com trajeto retroesternal. Essa barra foi fixada na margem anterior do 5º arco costal direito e na margem anterior do 4º arco costal esquerdo. A cirurgia ocorreu sem intercorrências. O objetivo do procedimento foi a correção das curvaturas das costelas e do osso esterno, além do reimplante das cartilagens costais e do reposicionamento dos músculos peitorais, visando restaurar a simetria do tórax e aumentar o volume intratorácico. Após a intervenção cirúrgica, observou-se significativa melhora no contorno torácico, com reposicionamento mais central do coração e melhor distribuição do volume torácico, além de benefícios estéticos e funcionais. O presente relato de caso descreve um PE adquirido, secundário a trauma torácico por atropelamento, condição rara em comparação aos casos congênitos mais frequentemente observados na prática clínica. A sintomatologia apresentou progressão ao longo do tempo, uma vez que a intervenção cirúrgica foi realizada 16 anos após o evento traumático, período em que a deformidade torácica se agravou, levando a repercussões funcionais, incluindo comprometimento cardiovascular. Esse relato é de grande relevância para os profissionais da área da saúde, pois além de documentar uma manifestação pouco comum da PE, também detalha um método cirúrgico específico, com utilização de barra metálica entre os arcos costais, visando a correção da deformidade torácica adquirida. A escassez de publicações sobre essa técnica, especialmente em deformidades adquiridas por trauma, reforça a importância deste estudo para ampliar o conhecimento e as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da PE.
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