Cobertura vacinal e casos de coqueluche na cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro - Brasil
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p42Palavras-chave:
Cobertura Vacinal, Coqueluche, dTpa, Epidemiologia, LactenteResumo
A coqueluche é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. No Brasil, a vacinação infantil inclui três doses da vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, reforço da DTP aos 15 meses e aos 4 anos, além da vacina dTpa para gestantes a partir da 20ª semana de gestação, a fim de prevenir a transmissão vertical ao recém-nascido. Esse esquema vacinal foi eficaz por anos, mas em 2023 houve aumento mundial de casos, possivelmente devido à redução na cobertura vacinal durante a pandemia de COVID-19, que afetou a imunização e o controle da doença. Este estudo, em andamento, analisou a relação entre cobertura vacinal e incidência de coqueluche em crianças até 1 ano de idade na cidade de Campos dos Goytacazes, no período de 2017 a 2024. Utilizou-se uma abordagem epidemiológica descritiva, retrospectiva, com dados do SINAN e do SI- -PNI, analisados via Google Sheets e testes estatísticos (Fisher e Pearson). Durante o período, foram notificados 27 casos, com 11 confirmados (40,74%), sendo 8 (72,72%) em crianças até 1 ano. Em 2024, houve o maior número de registros (9), com 6 casos em crianças até 1 ano, e 3 casos entre 5 e 10 anos. A maioria dos casos apresentava esquema vacinal completo, e o teste de Fisher não indicou associação estatística significativa entre vacinação e ocorrência de coqueluche (p=0,3473). A correlação entre cobertura vacinal e casos foi fraca e positiva (r=0,27). Apesar do aumento de casos em 2024 no Brasil e no Rio de Janeiro, a incidência em Campos dos Goytacazes permaneceu relativamente baixa, possivelmente devido à manutenção de altas coberturas vacinais — por exemplo, 96,87% das crianças receberam a pentavalente em 2018, enquanto o estado teve uma queda de 55% no mesmo período. A pandemia de COVID-19 também contribuiu para a redução da transmissão devido ao isolamento social, por outro lado, o relaxamento das medidas levou ao ressurgimento da doença. Os resultados preliminares indicam que fatores como subnotificação, registros incompletos, desigualdades socioeconômicas, acesso à saúde e possíveis falhas na conservação das vacinas podem influenciar esses achados. Além disso, há casos em crianças imunizadas, sugerindo falhas primárias ou secundárias na resposta vacinal, ou exposição precoce ao patógeno. Embora a maioria da população infantil estivesse com esquema vacinal completo, a presença de casos em crianças imunizadas pode indicar limitações na efetividade da vacina ou fatores individuais. Os dados reforçam a importância de manter altas coberturas vacinais, especialmente em gestantes, e de estratégias de busca ativa para crianças com esquemas incompletos. O aumento de casos em 2024 evidencia a necessidade de vigilância contínua e investigação de possíveis lacunas na imunização. Estudos mais robustos, como coortes prospectivas serão necessários para compreender melhor a dinâmica da doença no município e identificar fatores relacionados às falhas vacinais, sejam na resposta imunitária, na circulação do patógeno ou na operacionalização da vacinação.
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