Experiências em exsicatas:

a fitoterapia tecendo intercessões entre o conhecimento tradicional e o científico

Autores

  • César Manoel das Chagas Martins Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Elisa dos Santos Silva Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Gabriel Lucas Silvino Abreu Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Larissa dos Santos Panisset Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Maria Fernanda Gonçalves Gomes Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Maycon Bruno de Almeida Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil

DOI:

https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p22

Palavras-chave:

Plantas medicinais, Pessoas idosas, Relação entre gerações

Resumo

O uso de plantas medicinais é um saber tradicional valioso, especialmente entre a população idosa, que o transmite de geração em geração. Embora essa prática tenha benefícios significativos, seu uso inadequado ou sem embasamento técnico pode ocasionar riscos à saúde. Compreendendo essa realidade, a atividade de curricularização da extensão do componente curricular Farmacobotânica e Fitoterapia do curso de graduação em Farmácia da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) teve o objetivo de integrar o conhecimento tradicional ao científico por meio do intercâmbio dialógico entre pessoas idosas e estudantes. A experiência foi vivenciada durante a III Mostra de Exsicatas de Plantas Medicinais da FMC, realizada no dia 28 de maio de 2025. O evento recebeu a presença de pessoas idosas do grupo Idoso Saudável (Centro de Saúde Escola de Custodópolis), grupo do Centro Dia do Idoso do Parque Jardim Carioca, Associação Monsenhor Severino e o Grupo Teatral “É Nóis na Fita”. Além dos 39 estudantes matriculados no componente curricular, estiveram presentes 73 pessoas idosas, sendo 11 do sexo masculino e 62 do sexo feminino. Durante a mostra os estudantes expuseram exsicatas (amostras botânicas prensadas e secas) de 16 espécies medicinais usadas tradicionalmente pela população. O material foi colocado em molduras personalizadas e exposto acompanhado de informações técnicas sobre suas propriedades farmacológicas. A mostra promoveu um espaço de escuta ativa, troca de saberes e valorização das experiências de vida dos participantes. Relatos envolvendo o uso de plantas como jurubeba, cana-do-brejo, insulina vegetal, poejo, entre outras encontradas na região foram compartilhadas pelos idosos. Paralelamente, os estudantes apresentaram informações baseadas em evidências científicas, criando uma interação horizontal, afetiva e enriquecedora entre os presentes. As atividades foram marcadas por acolhimento, diálogo, música, dança e reflexões sobre o cuidado farmacêutico no contexto da humanização em saúde. A vivência sensibilizou os discentes ao mostrarem que o conhecimento técnico deve estar vinculado à escuta qualificada, ao respeito e à empatia. A ação demonstrou ser uma estratégia eficaz de ressignificação da formação acadêmica, conectando-a com as necessidades reais da sociedade, e contribuindo para uma prática farmacêutica mais sensível e transformadora. Além de ampliar o repertório técnico dos acadêmicos, a experiência ratifica a sabedoria popular como um patrimônio cultural, destacando o valor da interação intergeracional na construção coletiva de conhecimento e no fortalecimento de vínculos entre a faculdade e a comunidade. Ações como essa devem ser cada vez mais estimuladas por parte das instituições de ensino, pois promovem o valor do saber tradicional, incentivam a escuta ativa e fortalecem o compromisso social do profissional da saúde.

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Publicado

2025-11-27

Edição

Seção

Trabalhos originados da curricularização da extensão

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