Protozoários comensais como sentinelas invisíveis:
um alerta para as vulnerabilidades sanitárias não notificadas oficialmente
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p51Palavras-chave:
Educação, Saneamento, SaúdeResumo
As enteroparasitoses, tradicionalmente negligenciadas, são marcadores de desigualdade social em países em desenvolvimento, onde afetam milhões de pessoas. Associam-se à pobreza, ao saneamento deficiente e ao acesso limitado à saúde e à educação. A principal via de transmissão é fecal-oral, através de água, alimentos ou superfícies contaminadas. Embora a vigilância priorize parasitos patogênicos, protozoários comensais como Endolimax nana, Entamoeba coli e Iodamoeba butschlii são importantes indicativos de contaminação fecal e falhas de higiene, e sua negligência pode comprometer estratégias de controle. Objetiva-se avaliar a prevalência de enteroparasitas em escolares de uma comunidade de Campos dos Goytacazes (RJ), correlacionando os achados do exame com dados socioeconômicos e sexo, a fim de identificar indicadores ocultos de risco sanitário. Trata-se de estudo transversal realizado no segundo semestre de 2024, em projeto de extensão em uma escola de Travessão (Campos dos Goytacazes, RJ). Foram coletadas amostras fecais de escolares e familiares e aplicados questionários de caráter socioeconômico para classificação segundo o Critério Brasil. As amostras foram analisadas pela técnica de Hoffman e os dados foram correlacionados com sexo e classe social. A tabulação foi feita no Microsoft Excel. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, CAAE 79665324.2.0000.5244, com assinatura de TCLE por todos os participantes (ou responsáveis legais). Das 16 amostras fecais analisadas, 62,5% foram positivas para enteroparasitas. Endolimax nana foi o mais prevalente, 50%. Entamoeba coli, Iodamoeba bütschlii e Entamoeba histolytica estiveram presentes em 1 caso cada (igual a 6,25%), com um indivíduo coinfectado. Entre os 7 participantes da classe C1, 42,9% apresentaram parasitose. Já na classe DE (9 participantes), 77,8% estavam parasitados, sugerindo maior exposição entre indivíduos de menor poder aquisitivo. Quanto ao sexo, os casos positivos foram igualmente distribuídos entre mulheres (5/10) e homens (5/6). Assim, a associação mais expressiva ocorreu com a classe econômica, indicando que a desigualdade social, neste contexto, se sobrepõe ao fator gênero. O estudo revela protozoário patogênico e alta prevalência de comensais. Apesar de não serem notificados oficialmente, esses atuam como sentinelas de falhas sanitárias, o que contribui para a falsa percepção de ausência de risco nessas populações. Em um município sem levantamentos escolares desde 2012, os achados trazem um panorama inédito e evidenciam a urgência de políticas públicas e educação em saúde.
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