Prolongamento de intervalo QT identificado durante serviço de conciliação medicamentosa

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DOI:

https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p87

Palavras-chave:

Interações medicamentosas, Farmacovigilância, Eletrocardiograma

Resumo

A conciliação medicamentosa é um processo sistemático e essencial que visa garantir a continuidade e a segurança do tratamento farmacológico do paciente durante transições no cuidado, como admissões hospitalares, transferências entre setores ou alta médica. Esse procedimento consiste na comparação entre os medicamentos que o paciente fazia uso anteriormente e aqueles prescritos em cada etapa do atendimento com o objetivo de identificar e corrigir discrepâncias, omissões, duplicidades e evitar eventos adversos e interações entre os medicamentos prescritos. Nesse contexto, o objetivo é descrever um caso de identificação de interação medicamentosa durante atividade no Hospital Escola Álvaro Alvim. O registro do caso foi submetido e aprovado pelo comitê de ética da Faculdade de Medicina de Campos. Mulher, 76 anos, diagnosticada com mieloma múltiplo, portadora de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, doença renal crônica com injúria renal aguda sobreposta, hipertensão arterial sistêmica, anemia crônica, fibrilação atrial permanente, hipotireoidismo, admitida por prostração, dor abdominal e desconforto respiratório. Durante a internação, dentre os vários medicamentos prescritos, foi identificada interação grave (de acordo com o Up to Date) entre os fármacos amiodarona, domperidona e quetiapina. A justificativa para a sugestão de se evitar a combinação dos fármacos reside no fato da literatura científica destacar significativo risco de prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma (ECG). Na ausência do referido exame no prontuário da paciente, foi sugerida realização do ECG que confirmou alteração compatível com a descrição da literatura, com intervalo QT corrigido maior que 500ms. A partir do laudo, a domperidona foi suspensa da prescrição no dia seguinte, a quetiapina teve dose ajustada nos dias subsequentes e a paciente recebeu alta com ajuste da prescrição e orientação adequada, mantendo apenas o uso da amiodarona. Neste caso, o elevado risco de torsades de pointes, uma arritmia ventricular grave cujo prejuízo tende a ser mais severo que o benefício da estratégia farmacoterapêutica adotada, conduziu ao ajuste da terapia medicamentosa. O uso racional dos medicamentos é uma prática que deve ser promovida antes, durante e após a internação hospitalar e o serviço de conciliação medicamentosa contribui para uma análise pormenorizada da prescrição, mitigando interações medicamentosas que, quando observadas no paciente, podem ser decisivas para o seu prognóstico.

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Publicado

2025-11-27

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