Erythrina:
do uso popular aos registros científicos de suas espécies
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p35Palavras-chave:
Erythrina mulungu, Efeitos Terapêuticos, EtnobotânicaResumo
O gênero Erythrina, pertencente à família Fabaceae, apresenta diversas espécies, dentre as quais destaca-se a E. mulungu. Descrita no Formulário de Fitoterápico, da Farmacopeia Brasileira (FFFB), 2ª edição, a decocção da casca dessa espécie é indicada como auxiliar no alívio de quadros leves de ansiedade e insônia. Morfologicamente, as espécies desse gênero apresentam grande semelhança, o que pode representar um risco para a população que faz uso de plantas sem a devida identificação botânica, visto que a composição química pode ser diferente. O modo de preparo e a parte da planta utilizada também requerem atenção. Com o objetivo de identificar os aspectos relacionados ao uso popular de espécies do gênero Erythrina e contribuir para o uso racional e seguro da fitoterapia, foi aplicado um questionário, via Google Forms, no período de abril a maio de 2025, contendo 13 perguntas relacionadas à utilização de espécies do gênero Erythrina. 162 respondentes de ambos os sexos, com idade superior a 18 anos, que concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), por meio de aceite online, participaram da pesquisa, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os resultados revelaram que 80% (n=130) dos respondentes eram do sexo feminino e que 19% (n=31) já havia feito uso de alguma espécie do gênero Erythrina. A E. mulungu, cuja sinonímia é E. verna, representa a espécie mais utilizada pela população (71%, n=22). As folhas de E. mulungu constituíram a parte da planta mais frequentemente utilizada pelos respondentes (46%, n=10) e a finalidade atribuída às mesmas, se assemelha à indicação do FFFB para a casca do caule. 36% (n=8) fazem uso da casca do caule para mesma finalidade, preparando-a por infusão, método de extração não indicado para partes vegetais duras. Embora o uso da E. mulungu seja contraindicado durante o período de gestação e/ou lactação, 9% (n=2) dos usuários dessa espécie afirmaram tê-la usado nessas circunstâncias e, 23% (n=5) a utilizaram com idade igual ou inferior a 18 anos, o que não é indicado devido à falta de dados adequados quanto a segurança nessa faixa etária. Outras espécies apontadas pelos respondentes foram a E. velutina, utilizada por 10% (n=3) dos respondentes, e a E. speciosa, utilizada por 3% (n=1). 16% não conseguiram identificar, pelas imagens apresentadas, a espécie que utiliza. De forma geral, o uso de espécies do gênero Erythrina teve como finalidade o tratamento de quadros leves de ansiedade e insônia, tal qual é mencionado no FFFB, para a espécie E. mulungu. A prática de comercialização de plantas sem a devida identificação, bem como a semelhança entre espécies do mesmo gênero podem justificar o percentual de respondentes que não identificaram a espécie utilizada. Os resultados evidenciaram concordância com a literatura científica no que diz respeito às indicações terapêuticas para a espécie citada no FFFB, 2ª edição, mas apontaram divergências importantes quanto à parte da planta utilizada, ao modo de preparo e às advertências, apontando para a necessidade de orientação técnica nas práticas de fitoterapia a fim de garantir a eficácia e a segurança desses produtos.
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