Análise do comportamento adaptativo em crianças com neurodesenvolvimento atípico
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p13Palavras-chave:
Comportamento Adaptativo, Transtornos do NeurodesenvolvimentoResumo
O comportamento adaptativo, que abrange os domínios de Comunicação, Habilidades de Vida Diária e Socialização, é uma competência essencial para a independência pessoal e a responsabilidade social do indivíduo, ganhando crescente relevância na literatura científica e na prática clínica. Sua avaliação é fundamental para o diagnóstico e o planejamento de intervenções nos transtornos do neurodesenvolvimento. A Vineland Adaptive Behavior Scales (VABS), em suas versões VABS-II e Vineland-3, é amplamente reconhecida como instrumento padrão-ouro para essa avaliação. A VABS é aplicada por meio de uma entrevista semiestruturada com pais ou cuidadores, permitindo identificar, com base nas pontuações por domínio, a presença, o grau de prejuízo adaptativo (leve, moderado ou grave) e a área específica afetada, o que orienta o nível de apoio necessário. Este relato de experiência, desenvolvido no projeto de extensão “Avaliação do comportamento adaptativo na infância”, teve como objetivo avaliar o comportamento adaptativo, aplicando a VABS em 48 pacientes, de ambos os sexos, entre 3 e 15 anos, que apresentavam suspeitas clínicas diversas de transtornos do neurodesenvolvimento ou outros transtornos mentais. Posteriormente, esses pacientes foram diagnosticados por um psiquiatra infantil, que confirmou ou não os prejuízos apontados e indicou, conforme cada caso, o tratamento adequado. A experiência demonstrou que a avaliação adaptativa, ao investigar os domínios de comunicação, vida diária e socialização, além dos comportamentos mal-adaptativos, contribui significativamente para a compreensão das necessidades individuais e para o direcionamento de intervenções eficazes, evitando tanto a ausência quanto o excesso de tratamentos. Contudo, ainda há desafios importantes para a implementação dessa prática no Brasil. A Vineland-3, apesar de traduzida para o português, não possui dados normativos nem validação para a população brasileira. Esse cenário contrasta com evidências já disponíveis em outros países, como China e Vietnã. Além disso, o sistema de saúde brasileiro enfrenta obstáculos como a escassez de profissionais capacitados, falta de infraestrutura e longas filas de espera, resultando em diagnósticos tardios – frequentemente entre os 4 ou 5 anos de idade, quando o ideal seria antes dos 3. A experiência também revelou o potencial do instrumento para ser utilizado no contexto educacional, por equipes pedagógicas ou assistentes sociais treinados, favorecendo a identificação precoce de dificuldades adaptativas que impactam o desempenho escolar. Diante disso, esta experiência reforça a urgência de promover a validação e a normatização de instrumentos de avaliação adaptativa no Brasil, considerando sua aplicabilidade por profissionais da saúde e da educação previamente treinados. Isso ampliaria o acesso das famílias a avaliações qualificadas, favorecendo o encaminhamento precoce, a integração entre saúde e educação e a efetivação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento infantil. Consolidar essa prática no cotidiano clínico e educacional representa um avanço crucial para a promoção da equidade no cuidado às crianças com atrasos no neurodesenvolvimento.
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