Papiledema bilateral como primeiro achado clínico para o diagnóstico da Hipertensão intracraniana idiopática:
um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p81Palavras-chave:
Papiledema, Hipertensão Intracraniana, Hanseníase, Diagnóstico por Imagem, OftalmoscopiaResumo
O presente relato descreve um caso de hipertensão intracraniana idiopática (HII) inicialmente diagnosticada através da realização da oftalmoscopia indireta com identificação de papiledema bilateral em uma paciente portadora de hanseníase da forma clínica tipo multibacilar virchowiana. Paciente do sexo feminino, 24 anos, negra, natural de Campos dos Goytacazes, encaminhada pelo Programa de Controle da Hanseníase com queixa de baixa acuidade visual para longe associada à cefaleia de início há 2 meses. Ao exame oftalmológico no dia 04/10/2024, a fundoscopia mostrou a presença do papiledema bilateral significativo sendo fotografado através do retinógrafo portátil EYER. Foi solicitado o retorno da paciente em um mês após a realização de exames de imagem como ressonância magnética do crânio (RM). Após a execução da RM no dia 29/10/2024 foi identificado a dilatação da bainha dural dos nervos ópticos, retificação da margem posterior dos globos oculares e a sela turca parcialmente vazia, sugerindo um diagnóstico de hipertensão intracraniana. Após a reavaliação no dia 22/11/2024 o papiledema bilateral havia piorado drasticamente, além da persistência da queixa de cefaleia e da baixa da acuidade visual. Ao exame oftalmológico na reavaliação foi observado uma acuidade visual de 20/100 no olho direito e 20/80 no olho esquerdo, reflexos e motilidade ocular preservados. Em relação à biomicroscopia bilateral não foram encontradas alterações. A paciente foi encaminhada para unidade hospitalar com o objetivo de internação para iniciar terapia farmacológica visando reduzir a hipertensão intracraniana. Em seguida, durante a internação foi realizada uma angioressonância magnética venosa do crânio no dia 27/11/2024 cujo laudo radiológico foi compatível com o desaparecimento dos sinais de hipertensão intracraniana encontrados anteriormente. A paciente foi avaliada pela parte oftalmológica novamente após a alta hospitalar no dia 28/11/2024, apresentando um fundo de olho com o nervo óptico em aspecto cicatricial, havendo pequenas hemorragias peripapilares, palidez de nervo óptico e diminuição do edema de papila. Depois de 4 meses em uso diário de Acetazolamida, as queixas de cefaleia haviam melhorado e a acuidade visual estava em 20/40 no olho direito e 20/30 no olho esquerdo, apresentando uma melhora importante quanto às queixas oftalmológicas e neurológicas, assim como a fundoscopia também apresentava sinais de recuperação. Atualmente, a prescrição da paciente contém Acetazolamida 250mg a cada 8 horas e Topiramato 100mg a cada 12 horas. Este relato destaca a importância do exame oftalmológico, em especial o mapeamento de retina, a fim de ser devidamente utilizado e incluído na formação dos profissionais de saúde. A identificação precoce do papiledema foi fundamental para a escolha de exames complementares direcionados, o que possibilitou o diagnóstico de hipertensão intracraniana idiopática precocemente e permitiu uma intervenção terapêutica rápida com boa resolução clínica. A abordagem precoce evitou possíveis complicações que poderiam levar ao acometimento irreversível da acuidade visual da paciente. O caso reforça também a relevância de uma atuação interdisciplinar diante das manifestações oftalmológicas, dermatológicas e neurológicas deste paciente, promovendo um cuidado mais completo e resolutivo.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Maria Clara Guerra Peixe, Elisa Maria Waked Peixoto, Edilbert Pellegrini Nahn Junior , Alba Lucínia Peixoto Rangel , Fernando Miguel Soares Neto, Henrique Almeida Barbosa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores do manuscrito submetido aos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos, representados aqui pelo autor correspondente, concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem sem ônus financeiro aos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos o direito de primeira publicação.
Simultaneamente o trabalho está licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite copiar e redistribuir os trabalhos por qualquer meio ou formato, e também para, tendo como base o seu conteúdo, reutilizar, transformar ou criar, com propósitos legais, até comerciais, desde que citada a fonte.
Os autores não receberão nenhuma retribuição material pelo manuscrito e a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) irá disponibilizá-lo on-line no modo Open Access, mediante sistema próprio ou de outros bancos de dados.
Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta publicação.
Os autores têm permissão e são estimulados a divulgar e distribuir seu trabalho online na versão final (posprint) publicada pelos Anais da Semana Científica da Faculdade de Medicina de Campos em diferentes fontes de informação (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer tempo posterior à primeira publicação do artigo.
A Faculdade de Medicina de Campos poderá efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com o intuito de manter o padrão culto da língua, contando com a anuência final dos autores.
As opiniões emitidas no manuscrito são de exclusiva responsabilidade do(s) autor(es).
