Percepção das líderes escolares sobre o conhecimento e o comportamento da comunidade frente às arboviroses em Campos dos Goytacazes
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p56Palavras-chave:
Conhecimentos, Atitudes e Prática em Saúde, Infecções por Arbovirus, Mosquito-da-DengueResumo
Os mosquitos do gênero Aedes são os principais vetores da dengue, uma doença que representa uma ameaça global à saúde pública e afeta milhões de pessoas anualmente. Em 2024, foram registrados 19771 casos de dengue em Campos dos Goytacazes (CGOY). A alta incidência pode ser consequência de fatores como o clima favorável, a deficiência no controle efetivo de vetores e o baixo nível de conhecimento e atitude preventiva da população. No entanto, não existem informações disponíveis sobre o nível de conhecimento e as atitudes da população em relação às medidas de prevenção. Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil, o conhecimento e a percepção de gestores escolares sobre a dengue no bairro Jockey Club/CGOY. Trata-se de uma pesquisa observacional, de abordagem qualitativa, com uso de um questionário semiestruturado. Foram incluídos apenas gestores de escolas públicas e privadas localizadas no bairro Jockey Club, previamente identificados utilizando a ferramenta Google Maps. As entrevistas foram gravadas e transcritas com o auxílio do software Transcriptor. Após a transcrição, o conteúdo foi revisado e categorizado para análise das características sociodemográficas dos participantes, além de sua percepção e conhecimento sobre arboviroses e medidas de prevenção. Foram entrevistados cinco gestoras escolares, o que representa 62,5% das instituições escolares do bairro Jockey Club. A média de idade das participantes foi de 50,8±14,5 anos, e o tempo médio de atuação profissional foi de 11,3±10,6 anos. As entrevistadas residem em CGOY há, em média, 50,0±14,5 anos. Todas as participantes consideram a dengue um problema sério no município. Os principais locais apontados como criadouros do Aedes aegypti foram terrenos abandonados, lixo acumulado, recipientes domésticos, pneus e praças públicas. Apesar desse reconhecimento, 80% delas afirmaram que a população ainda não possui conhecimento suficiente sobre as formas de prevenção da doença. Em relação à atuação do poder público, houve consenso entre as participantes quanto à necessidade de intensificação da fiscalização, realização de campanhas educativas contínuas e estímulo ao maior envolvimento da comunidade. As principais medidas sugeridas incluem educação permanente, limpeza urbana, fiscalização efetiva e campanhas de conscientização. Ninguém relatou ter conhecimento de programas comunitários de combate ao Aedes, o que demonstra a necessidade de maior divulgação e incentivo ao engajamento coletivo. Diante disto, as principais estratégias citadas foram campanhas educativas constantes, divulgação de dados atualizados sobre a doença, ações nas escolas e reportagens de grande impacto. Todas reforçaram o papel fundamental das escolas na prevenção. Os dados mostram uma percepção generalizada de que o nível de conhecimento e o engajamento da comunidade são insuficientes. Além disso, a necessidade de intensificação da fiscalização e de campanhas educativas contínuas reforça a importância de estratégias integradas, que envolvam tanto o poder público quanto a população local. O ambiente escolar se destaca como cenário estratégico para a sensibilização dos alunos e suas famílias, capaz de promover mudanças de comportamento a fim de reduzir os focos do vetor. Pelo ponto de vista das gestoras escolares em um dos bairros mais afetados de CGOY, a dengue é um problema grave devido a fragilidades no nível de informação e no engajamento da comunidade em relação às medidas de prevenção e controle do vetor.
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