Origem anômala da artéria vertebral esquerda:

um relato de caso

Autores

  • Gustavo Ribeiro Osório Reis Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Larissa Silva de Almeida dos Santos Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Maria Eduarda De Almeida Barreto Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Murilo Cardoso Sales Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Marlana Ribeiro Monteiro Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil

DOI:

https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p65

Palavras-chave:

Variação Anatômica, Artéria Vertebral, Dissecação, Cadáver

Resumo

A artéria vertebral é um importante vaso sanguíneo que se origina, em sua anatomia clássica, da porção proximal da artéria subclávia, ascendendo pelo pescoço até alcançar os forames transversos das vértebras cervicais. Essa artéria é responsável pela irrigação da porção posterior do cérebro, após alcançar a base do crânio, fazendo parte do sistema vértebro-basilar. No entanto, a artéria vertebral esquerda pode apresentar origem diretamente no arco da aorta, configurando uma variação anatômica. Essa variação pode impactar diretamente a segurança de cirurgias cervicais e a precisão diagnóstica em exames de imagem. O principal objetivo é relatar e descrever uma variação anatômica pouco comum da artéria vertebral esquerda com origem direta do arco da aorta. Durante uma dissecção, realizada pelos monitores de anatomia, no laboratório multidisciplinar de anatomia da Faculdade de Medicina de Campos (RJ), foi identificada uma variação pouco comum (6%) na origem da artéria vertebral esquerda em um cadáver humano adulto do sexo feminino. Primeiramente, é importante destacar que o corpo, utilizado para fins educacionais, já se encontrava fixado e conservado em solução apropriada, sendo manipulado de acordo com as normas ético-legais vigentes, conforme estabelecido pela Lei 8501, de 30 de novembro de 1992, que regula a utilização de corpos humanos para fins de estudo e pesquisa científica. Foi também aprovado pelo Comitê de Ética com protocolo n.º 81269724.7.0000.5244. Ao se iniciar a exploração da região torácica, com o intuito de analisar as estruturas vasculares do arco da aorta, observou-se um trajeto atípico da artéria vertebral esquerda. Em vez de se originar da artéria subclávia esquerda, como ocorre na maioria das pessoas, essa artéria nascia diretamente do arco da aorta. Mais especificamente, sua emergência se dava entre a artéria carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda, configuração essa considerada uma variação anatômica rara. Logo após sua origem no arco aórtico, a artéria apresentava um trajeto ascendente, alcançando o forame transverso da sexta vértebra cervical - o que mantém compatibilidade com o caminho geralmente observado nessa estrutura. Ademais, vale ressaltar que alterações como essa podem impactar diretamente na interpretação correta de exames de imagem, como tomografias e angiografias, além de poder levar a erros diagnósticos ou complicações intraoperatórias, sobretudo em procedimentos que envolvem cateterização, dissecção cervical ou abordagens endovasculares. Portanto, o presente estudo relatou uma variação anatômica rara da artéria vertebral esquerda no arco aórtico, cuja origem foi identificada entre as artérias carótidas comum esquerda e subclávia esquerda. A identificação dessa variação é de suma importância para a interpretação de exames de imagem, além de criar um impacto no planejamento de cirurgias vasculares e cirurgias cervicais. A compreensão da anatomia, a partir da dissecção de cadáveres, contribui significativamente para formação médica, permitindo o reconhecimento de variações que podem auxiliar de forma relevante na clínica e em cirurgias.

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Publicado

2025-11-27

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