Interações entre omeprazol e clopidogrel em pacientes internados na clínica médica em um hospital de alta complexidade

Autores

  • Gabriel Lobo da Silva Rosa Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Maycon Bruno de Almeida Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil
  • Anderson Nunes Teixeira Faculdade de Medicina de Campos – FMC, Campos dos Goytacazes, RJ- Brasil

DOI:

https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p48

Palavras-chave:

Clopidogrel, Omeprazol, Doença Cardiovascular, Interações Medicamentosas, Medicamentos

Resumo

As doenças cardiovasculares foram responsáveis por cerca de 400 mil óbitos no Brasil em 2022. O aumento dessas patologias tem resultado em elevado consumo de medicamentos pela população. O clopidogrel, um pró-fármaco, é amplamente prescrito em protocolos clínicos para pacientes com doenças cardiovasculares, como síndrome coronariana aguda, prevenção pós-intervenção coronária percutânea e infarto agudo do miocárdio. Em especial, pacientes idosos com doenças cardiovasculares apresentam maior predisposição à polifarmácia – uso concomitante de cinco ou mais medicamentos. Esse cenário favorece o surgimento de efeitos adversos gastrointestinais, tornando necessária a prescrição de medicamentos como o omeprazol, um inibidor da bomba de prótons. A polifarmácia e a hospitalização elevam o risco de interações medicamentosas, sendo a associação entre clopidogrel e omeprazol considerada de alto risco para interação grave. O presente estudo teve como objetivo deter- minar a prevalência do uso concomitante de omeprazol e clopidogrel em pacientes internados, identificar as principais complicações clínicas associadas e propor uma alternativa viável para minimizar essa interação. Trata-se de um estudo observacional, transversal e retrospectivo, baseado na análise de 265 prontuários de pacientes que fizeram uso de clopidogrel, com ou sem associação ao omeprazol. A amostra foi majoritariamente composta por indivíduos do sexo masculino, de cor parda, com média de idade de 65 anos. O histórico social revelou alta prevalência de tabagistas ou ex-tabagistas, sendo hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 as comorbidades mais frequentes. A angioplastia com implante de stent foi o procedimento cirúrgico mais comum, enquanto o infarto agudo do miocárdio predominou entre os diagnósticos. Observou-se que os pacientes que utilizaram omeprazol e clopidogrel concomitantemente apresentaram maior taxa de óbitos. A polifarmácia foi frequente, destacando-se o uso de antiagregantes plaquetários e antilipêmicos. A prevalência do uso concomitante foi elevada e as principais complicações observadas incluíram infarto agudo do mio- cárdio, distúrbios hematológicos, trombose venosa profunda, acidente vascular encefálico isquêmico e tromboembolismo pulmonar. Como alternativa viável para minimizar a interação entre clopidogrel e omeprazol, recomenda-se a substituição do omeprazol por pantoprazol.

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Publicado

2025-11-27

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