Reabilitação da afasia de broca com terapia de entonação melódica:
relato de caso guiado por evidências de alta relevância
DOI:
https://doi.org/10.29184/anaisscfmc.v42025p83Palavras-chave:
Afasia de Broca, Musicoterapia, AVC Isquêmico, ReabilitaçãoResumo
A afasia de Broca é um distúrbio de linguagem frequentemente secundário a lesões isquêmicas no hemisfério dominante, caracterizado por fala não fluente, dificuldade na articulação e produção de frases, com preservação relativa da compreensão auditiva. A Terapia de Entonação Melódica (TEM) tem se destacado como abordagem complementar de reabilitação, promovendo a reorganização de circuitos corticais por meio de estímulos rítmicos e melódicos. Este trabalho descreve o caso de uma paciente com afasia expressiva após acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) em território da artéria cerebral média esquerda, submetida a reabilitação interdisciplinar com inclusão de musicoterapia baseada em TEM. Paciente feminina, 66 anos, destra, com antecedentes de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, apresentou hemiparesia à direita e anomia grave, mantendo compreensão verbal preservada. Iniciou reabilitação com sessões regulares de musicoterapia, envolvendo vocalizações rítmicas e frases melódicas adaptadas à rotina e ao repertório funcional da paciente. Ao longo de oito semanas, observou-se evolução significativa na fluência verbal, maior prosódia, formação de frases simples e maior autonomia comunicativa, com relatos positivos por parte dos familiares. O progresso funcional foi analisado à luz de uma revisão narrativa conduzida com base em critérios bibliométricos e metodológicos. Foram selecionados onze artigos publicados entre 2015 e 2025, incluindo ensaios clínicos, revisões sistemáticas e estudos de neuroimagem funcional. Os estudos demonstraram que a TEM promove melhora significativa em fluência verbal, nomeação e comunicação funcional, com suporte neurobiológico evidenciado por aumento da conectividade entre regiões perilesionais e áreas homólogas contralaterais. A literatura revisada respalda os ganhos observados no caso clínico, validando a utilização da TEM como recurso terapêutico de baixo custo e alto impacto funcional. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa, conforme CAAE 86630625.3.0000.5244. Conclui-se que a TEM pode ser integrada de forma eficaz a programas de reabilitação da afasia não fluente, contribuindo para a plasticidade cerebral, engajamento emocional e melhora da qualidade de vida de pacientes com sequelas neurológicas crônicas.
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Copyright (c) 2025 Renato Faria da Gama, Luisa Granato Ferreira Gomes , Carlos Eduardo La Cava Pinto da Silva, Camila Castelo Branco Pupe

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